JPEG? RAW? DNG?

Antes do advento da Fotografia Digital, não existiam dúvidas sobre o formato final: uma película de filme exposto onde mais tarde e se tudo corresse bem, teríamos a nossa fotografia tal e qual a imaginámos – o negativo.

Apesar do que se julga, o negativo não é um trabalho terminado. Sem querer aprofundar muito, na câmara escura existiam (e existem para quem ainda faz fotografia analógica) variadíssimas técnicas de edição e alteração da imagem ao ser processada, ampliada e revelada no papel fotográfico
O ficheiro digital, é hoje em dia o nosso negativo. E tal como no mundo analógico, a imagem digital pode ou não ser editada (por softwware), tendo em conta a finalidade a que se destina e ao gosto (artístico ou não) do fotógrafo, mas agora em câmara escura digital.

JPEG

JPEG directo da DLSR

O formato JPEG (Joint Photographic Experts Group) é um standard aberto para imagens digitais. É um formato comprimido com perda de informação na sua geração, que pode ser mais ou menos intensa conforme o nível de qualidade (0 – 100) e o numero de DPI’s (Dots per Inch, pontos por polegada) parâmetro que indica a resolução da imagem: mínimo de 72 para Web e visualizações em ecrans de computador; podendo ir até 300 ou mais para uma impressão em papel ou outros meios.
É o formato mais utilizado nas imagens carregadas na Internet.
Quando se tira uma fotografia numa máquina digital sob a forma de JPEG, o que, essencialmente está a acontecer é que o software interno e especifico ao modelo de máquina em questão está a tomar todas as decisões sobre tonalidades, contraste, equilíbrio de brancos, saturação, nitidez, etc da nossa fotografia. Em alguns modelos podemos escolher o tipo de processamento mais adequado como por exemplo, neutro ou vivido. De qualquer das formas, fica decidido no momento em que se carrega no obturador, os valores de cada pixel da imagem. Mas mais importante ainda, vai existir uma compressão da imagem sendo descartada informação sobre pixels que o software da maquina “julga” serem redundantes. Conforme seja configurado na maquina, gerando um ficheiro JPEG de menor ou maior qualidade, será descartada mais ou menos informação. O inconveniente deste formato surge quando se pretende editar a imagem num software (camara escura digital), porque vai estar muito limitado ao que pode fazer na imagem assim como na intensidade das edições sob pena de começarem a surgir ruído, efeitos de pixelização e aberrações cromáticas, podendo estragar a imagem por completo.

E o que é RAW?

RAW directo da DLSR

Nem todas as máquinas permitem tirar fotografias neste formato, se bem que começam a surgir muitas compactas com esta opção. Não se trata de uma opção destinada para profissionais, antes pelo contrário, muitos fotógrafos preferem utilizar JPEG como forma de agilizar o seu fluxo de trabalho, seja pela quantidade de fotos que fazem num trabalho, seja pela rapidez com que tem de colocar as fotos disponíveis, uma vez que não terão tempo para edições no computador. Fotógrafos de eventos, de desporto ou jornalistas, são exemplos.
Quando uma imagem é gerada neste formato, a câmara não altera a informação específica de cada pixel, mantendo todos os valores de todos os pixéis intactos, gerando por isso ficheiro muito maior. Este é um dos inconvenientes deste formato: o tamanho dos ficheiros. Como exemplo: uma máquina de 10 megapixéis pode gerar ficheiro RAW até 12 megabytes: 4 a 5 vezes mais do que o correspondente ficheiro JPEG com qualidade máxima. Mas para além disso, a fotografia não está terminada com este ficheiro. De facto, a imagem terá se de ser processada num software especial (lightroom, photoshop, aperture, etc) para chegar ao produto final que se pretende. E só depois desse trabalho é que se pode gerar um ficheiro JPEG que vai ser usado para carregar na net ou para ser impresso. Teremos de fazer no formato digital, aquilo que os fotógrafos fazem com o filme na fotografia analógica: processar e revelar o negativo.
Claro que dá muito mais trabalho e consome mais tempo (e espaço em disco), mas é aqui que está o segredo: agora temos realmente o controlo criativo sobre as nossas imagens. Deixou de ser a máquina a decidir por nós como deve ficar a nossa imagem final. Podemos decidir se queremos a imagem a preto e branco ou a cores. Com mais ou menos saturação. Podemos recuperar zonas de sombra ou luz excessiva (exposição) porque toda a informação sobre luminosidade está em cada um dos pixels. Podemos até decidir o equilíbrio de brancos, algo que fica definitivo no momento em que é criado o JPEG.

E existem dúvidas?

Existem fortes defensores para um e outro formato de imagem.
Pessoalmente, não posso fazer fotografia sem os dois. Tanto utilizo JPEG em fotografia do dia-a-dia, ou em trabalhos em que não posso perder muito tempo em edições; como RAW para poder mais tarde melhorar as imagens ou quando a exigência de qualidade é tal que não posso correr o risco de ter tudo já definido no momento em que disparo a máquina. Mas eu prefiro o RAW e utilizo-o sempre que posso. E mesmo se não tiver tempo, posso sempre gerar o JPEG tal como seria se tivesse saído da máquina.
Por um lado tenho controlo total sobre as imagens, mas por outros tenho de disponibilizar tempo para processar as imagens. E para o fazer de forma eficiente é preciso saber quais os melhores programas para os meus objectivos, aprender a usá-los da melhor forma e com o tempo e a prática, descobrir o melhor fluxo de trabalho para que todo processamento e revelação num JPEG seja realizado da melhor forma possível, consumindo o menor tempo.
Um outro factor contra o RAW é o espaço que ocupa em disco rígido. Tendo em conta o custo actual por mega, já não é um factor primordial para a escolha entre um e outro, mas ainda assim, há que pensar se queremos ter prateleiras de discos rígidos cheios de ficheiros depois de anos e anos de carreira fotográfica. Eu penso que se antigamente tínhamos de guardar negativos, agora tenho de guardar discos. Formatos diferentes, as mesmas preocupações.
Tudo isto também não invalida o facto de que para ambos os formatos, quanto mais tempo se “perder” a fazer a fotografia na maquina, menos tempo se perde à frente do monitor a processar a imagem. No fim, voltamos sempre à ideia primeira de que uma fotografia é um acto de paciência, dedicação e muita paixão e não deve ser um acto irreflectido, mas antes bem planeado e intencional.
Existe uma limitação técnica para a escolha de RAW: nem todas as máquinas digitais o permitem. Apesar de ser um formato que está a ser cada vez mais implementado nas gamas mais baratas e menos profissionais de máquinas fotográficas, tipicamente, as chamadas “compactas” só terão a hipótese de gerar JPGs.

Mas então e o DNG?

DNG gerado a partir do RAW original da DLSR e processado em Lightroom

O formato RAW é específico de cada fabricante. Ou seja, um ficheiro RAW é o resultado de um algoritmo de propriedade exclusiva de cada um dos fabricantes. Portanto um ficheiro RAW da Canon (.CR2), ou da Nikon (.NEF) ou da Sony (ARW, SR2 ou SRF), por exemplo, são todos incompatíveis entre si. Assim, se quisermos ter pré-visualizações das nossas imagens no explorador do Windows ou no finder do MAC, não será possível pois não é um formato aberto. Também, com o lançamento de novos modelos de máquina de cada fabricante, acontece frequentemente fazerem actualizações nos algoritmos o que torna as aplicações usadas para os processar e editar temporariamente incompatíveis até que saia uma actualização desse mesmo software para as novas versões dos ficheiros.
Existe uma alternativa para evitar estes problemas: o Digital Negative – DNG.
Trata-se de um formato criado pela Adobe para ser um standard em termos de negativos digitais. Tem todas as características de um formato RAW proprietário mas de algoritmo público. Ocupa ligeiramente menos espaço (alguns megabytes de diferença) pois descarta alguma informação extra e opcional sobre os dados técnicos da fotografia que nada tem a ver com a informação de cada pixel.
O único problema é que ao importar as suas fotos RAW proprietário para a sua aplicação de edição de imagem, é realizada a migração para DNG. Portanto a importação das fotos demorará mais tempo. Um outro ponto a favor é existir um driver para Windows e para MAC que permite ver as pré-visualizações de ficheiros DNG, tal como se fossem JPEGs.

Conclusão?

 

Qual é o melhor? Depende do tipo de fotografia que fazem, da qualidade que exigem do vosso trabalho fotográfico, da vossa qualidade e experiencia como fotógrafos, do tempo disponível, do prazo disponível para apresentar um trabalho fotográfico, etc. Todos os formatos referidos são validos e úteis em diversas circunstancias com os seus pontos a favor e contra. Apenas tem de se perguntar o que querem fazer da imagem captada na maquina e até que ponto tem tempo disponível e vontade para editar o trabalho no computador.

Não se esqueçam: não interessa o caminho que escolhem, só interessa chegar ao fim com imagens de que se orgulhem e que transmitam aquilo que querem transmitir.
Boas fotos!

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