Os Quatro P’s

Desta vez, gostava de vos dar a conhecer um artigo com o qual me identifico e que subscrevo totalmente, publicado no site Uknown Photographer, escrito por um talentoso fotógrafo de St. Louis (E.U.A) chamado Michael Green.

OS QUATRO P’s

O que fazer para ser um fotografo de sucesso? Esta é que é a grande questão.
Aparentemente parece que alguns querem fazer crer que, ao tornarem-se mestres das técnicas fotográficas, vão conseguir atingir automaticamente essa meta. Que quando souberem tudo sobre fotografia, direcção, poses e iluminação, se vão tornar como que por magia, fotógrafos famosos e bem sucedidos. Ser o melhor que podem ser na arte fotográfica e, por consequencia, todos vos irão adorar. Bem, eu não concordo de todo com isto… Gostaria de chamar a vossa atenção para uma serie de coisas que espero que vos sirvam de inspiração e ajude a conseguirem ficar mais perto das vossas respostas.
Estas são algumas das ideias que eu acredito que são chaves para se conseguir ser um fotógrafo de sucesso. Não são todas, nem sequer algumas, das respostas. Mas depois de alguma reflexão e ponderação sobre estes assuntos acabo sempre a voltar para às mesmas coisas. Os quatro P’s: Personalidade, Portfolio, Prática e Perspectiva.

PERSONALIDADE

O “Eu” que vocês pensam que são, nem sempre é o “Eu” que os outros vêem. Ficam aqui algumas ideias a ponderar: São pessoas acessíveis? Os vossos actuais (e potenciais) clientes gostam de trabalhar convosco? Consideram as pessoas com quem trabalham e as pessoas para quem trabalham, como amigos? Quando alguém vos conhece, desfrutam imediatamente do vosso convívio ou demoram algum tempo para se acostumarem? Vocês apresentam-se realmente como profissionais, ou em vez disso, acabam por passar uma ideia de arrogância? Por vezes, ser confiante e ser presunçoso podem ser facilmente confundidos. Não sejam aquele personagem… ninguém o quer aturar. Vocês sentem-se gratos pela oportunidade de trabalhar com as pessoas? E mostram isso? É assim que vos vêem, ou é como vocês “pensam” que vos vêem?

A primeira coisa que geralmente as pessoas vêem é a Personalidade. Ou gostam de vocês, ou não. É assim tão simples. Se gostarem, vão querer-vos para o trabalho; de outra forma, ainda podem vos contratar por mérito ou para preencher o lugar, mas não criaram um vínculo para o próximo trabalho. Não se plantou a semente para a próxima oportunidade. E quanto mais oportunidades existirem, melhor para vocês. Eu realmente acredito que assim que começarem a responder estas perguntas com uma nota positiva, não só vão pode beneficiar profissionalmente com isto, como também a vossa vida como um todo será uma experiencia muito mais agradável.

PORTFOLIO

O que estão a publicar para mostrar o que vocês são? Estarão a confundir toda a gente com demasiada informação, demasiados estilos? Pode-se concluir imediatamente o que vocês são e o que fazem bem com o material que publicam? Obviamente que já não estamos falar de “Books” bem impressos e com belíssimas capas de couro e estilos e tamanhos impecáveis. Hoje em dia, os nossos Portfolios on-line estão a fazer toda a conversa por nós (provavelmente até demais) e existe a necessidade de ser algo profissional. Um grande erro que vejo on-line quando visito uma inesgotável fonte de galerias falhadas e caóticas no Facebook, Flickr, ou nos próprios sites pessoais dos fotógrafos é o exagero. Vinte imagens diferentes do mesmo motivo ou cena, o mesmo motivo ou modelo não editado, os mesmos visuais. Até me arrepio só de pensar. (E por favor, vamos fazer de conta que nos conhecemos há vários anos e que estou a dizer isto porque realmente me preocupo com o vosso bem-estar, porque eu vou ser brutalmente honesto): é o primeiro ou segundo modelo fotográfico com quem trabalham; não têm a certeza do que queriam da sessão fotográfica e não conseguiram escolher uma imagem favorita e decidiram publicar praticamente tudo o que vocês pensam que resulta mais ou menos; ou precisam de preencher o vazio e é tudo que têm disponível para publicar, e mais vale “a mais” do que “a menos”; ou porque não conseguiram editar nenhuma das imagens porque são muitas e teriam de cobrar “horrores” ao cliente se tivessem de trabalhar todas as imagens, e para além disso nunca teriam tempo para isso…
Vamos reflectir sobre algumas princípios para um Portfolio.
É uma compilação dos vossos MELHORES trabalhos, que diz quem são vocês e que tipo e qualidade de trabalho conseguem fazer. Não existe espaço para ser-se sentimental relativamente a um determinado modelo, sessão, localização ou trabalho. Se a foto for boa é de manter, se não, elimina-se. Nada mais importa. Uma foto medíocre de uma celebridade é na mesma, uma foto medíocre. Fá-la ficar mal; faz vocês ficarem mal e ponto final. De seguida, usar apenas uma ou apenas algumas (poucas) imagens de uma determinada sessão. Não cinco ou seis. Já percebemos que estão mesmo empolgados com a sessão mas dessa forma, vão perder a atenção do público muito rapidamente. Tem de existir uma variedade de trabalhos. Tenham em mente que devem mostrar o vosso melhor trabalho, não necessariamente o mais recente. Frequentemente, vejo fotógrafos retirarem as suas melhores obras para dar espaço ao seu trabalho mais recente e às vezes pior. Não publicar as fotos até que estejam prontas, até que tenham trabalhado nelas até à perfeição e quando se sentirem felizes com o resultado final. Estamos ainda a falar do vosso Portfolio, e não apenas um lugar para onde regurgitam as imagens para serem visualizadas. E finalmente, não me confundam com quem vocês se identificam como fotógrafos. Se casamentos e bebés são a vossa praia tentem maravilhar-me com essas coisas, sem misturar pelo meio, algumas imagens arquitectónicas e algumas fotos de produtos. Se querem ser fotógrafos generalistas, o meu conselho seria: criarem identidades distintas para cada tipo de fotografia.

PRÁTICA

Sem praticar imenso ninguém chega a profissional. Atletas fazem-no, músicos fazem-no, porque deveria ser diferente
com fotógrafos? Não podem ser bons na fotografia se a câmara fotográfica fica na bolsa ou mochila durante semanas a fio enquanto vocês resmungam e ficam aborrecidos perguntando-se porque nunca aparece “Aquele Trabalho de Sonho”.
Parece que toda a gente tem toda a sorte e que coisas boas nunca acontecem a vocês, não é? Não, meus amigos. É muita prática que abre os canais para virem coisas boas bater-vos à porta. Primeiro, aprenderão como usar o vosso equipamento, melhorando o vosso olhar criativo, e descobrindo o que não funciona para que não cometam o mesmo erro ou para que façam de maneira diferente na próxima oportunidade. E segundo, ficarão a conhecer novas pessoas ao longo do caminho, ampliando assim a vossa rede de clientes, modelos, maquilhadores, e eventualmente proprietários de locais que gostariam de usar no futuro. E aqui temos outra coisa em que pensar: eu não quero dizer que o pior momento para aprender a usar o vosso equipamento é durante uma sessão porque honestamente, estamos sempre a aprender. Mas é necessário que num trabalho importante se sintam com o máximo de confiança, e a única maneira de chegar a esse ponto é conhecer o equipamento por dentro e por fora, o que se pode fazer e o que não se pode. E só conseguem isto usando-o repetidamente. Outra coisa importante a praticar é comunicar com os vossos modelos. A comunicação durante uma sessão fotográfica pode ser o elo mais fraco que faz com que todo o trabalho se desintegre e não consigam fazer com que os vossos modelos confiem em vós e na vossa capacidade de obter a foto. Praticar a edição e pós produção das imagens. Seria muito agradável, mas aprender Photoshop por osmose não existe. Precisam de pôr as mãos na massa e aprender o que funciona para vocês. Já vi muitos fotógrafos destruírem belas imagens porque não têm tempo ou se recusam a praticar as suas capacidades de edição de imagem. É mais fácil ficar quieto e desejar ser melhor. Não é possível obter qualidade para o quer que seja sem Prática.

PERSPECTIVA

Vejo este ponto ser esquecido muitas vezes ou não ser alvo da atenção que merece, mas penso que vai directo ao cerne da questão de ser-se bem sucedido. Muito simplesmente, criam a vossa própria realidade com vossa maneira de ver os vossos clientes, contactos, o vosso produto, a vossa capacidade, a qualidade do trabalho, e até mesmo o vosso status na vida. Dizendo de outra forma: sou pago para brincar. Apareço num trabalho, abro minha caixa de brinquedos, brinco com eles na frente do cliente, depois vou para casa brincar um pouco mais, e por alguma razão, alguém me põe um cheque nas mãos por isto. Esta é a maneira como eu vejo a minha vida. Esta é a minha perspectiva. Vocês gostam do que fazem? Vocês desfrutam-no realmente? Posso vos dizer que sou uma pessoa muito positiva e feliz por causa da maneira que eu escolhi de ver as coisas. E isto é apenas o início; isto vai muito mais fundo. Hoje em dia os meus amigos, colegas e clientes começam a ver quem eu sou realmente, e como eu sou, e as leis da atracção começam a dar frutos. A minha perspectiva está agora a influenciar a perspectiva deles em relação a mim. Eles adoram trabalhar comigo e de me ter por perto em trabalhos fotográficos. Eles sentem-se confortáveis ​​e confiantes na minha capacidade para fazer o trabalho bem feito, e ansiosos para ver o produto final. Então, podemos concluir que quando acreditam em vós próprios, outros vão acreditar em vocês? Por vezes, a vossa perspectiva pode ser exactamente aquilo que vos puxa para trás. Muitas vezes ouço fotógrafos dizerem como é difícil ganhar dinheiro com sua base de clientes e por isso têm constantemente de baixar a fasquia dos seus preços muito para além do que deveriam. Fica a reflexão: se o vosso produto é assim tão bom, aumentem os preços e toca de ir atrás de um tipo de cliente diferente. Podemos cair no erro de nos fechar quando escolhemos ver com uma perspectiva curta. Agora vamos olhar de perspectiva… sim, vocês chegam lá… uma perspectiva diferente: a maneira como vêem as vossas imagens. A vossa perspectiva pessoal é o que faz a diferença quando 30 pessoas vêem o mesmo objecto, mas vocês criam o vosso próprio produto final. Na maioria dos casos em que alguns vêem uma paisagem, eu vejo um fundo. É apenas como eu funciono. Por isso, orgulharem-se da vossa individualidade como artistas e pensadores criativos. E compreendam o valor da vossa perspectiva.

Assim, estes quatro pontos são realmente algo importante para mim e atribuo muito do meu sucesso directamente a eles, de muitas formas. Acredito que a imagem pessoal que vocês estão a apresentar ao vosso mercado e ao vosso público é algo extremamente importante. E eu penso que a pergunta realmente importante a que devem responder é esta: QUEM SÃO VOCÊS?

Boas Fotos!

Artigo original: The-4-ps-of-photography-michael-green

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