Composição: As Regras

Desta vez gostava de escrever acerca de um dos aspectos mais importantes a ter em conta na realização de fotografia: a Composição. Depende da forma nos colocamos em relação aos motivos que fotografamos, como posicionamos a câmara, do meio que nos rodeia, da luz, dos objectos, etc.
Como em tudo relacionado com arte, os princípios formais que vou enumerar devem ser entendidos e interiorizados como algo natural na criação da fotografia. Ao início poderão aplicá-los de forma forçada, racional e consciente mas, com o tempo e a pratica, vão dar-se conta que vão estar a aplicar estes mesmos princípios sem pensar, de forma natural e intuitiva.

Regra de Terços

É a mais simples das regras. Muitas máquinas digitais apresentam esta regra no LCD. Consiste na divisão imagem em nove blocos, com duas linhas horizontais equidistantes entra si, mais outras duas linhas verticais equidistantes entre si, criando um padrão 3×3 com quatro intersecções: os pontos de força.

Estes pontos são as áreas fortes da imagem, e a teoria diz que o nosso cérebro processará a imagem ao longo das linhas, dando maior atenção primeiramente a estes quatro pontos. O nosso cérebro tenderá também a processar a imagem de baixo para cima e da esquerda para a direita. Estas noções são há muito tempo conhecidas nas áreas de marketing e publicidade. Por isto, motivos para os quais queremos dar maior importância deverão ser compostos de forma a coincidir com as linhas e/ou os pontos de intersecção.
Ao contrário do que podem pensar, a noção de equilíbrio do nosso cérebro não coincide com o centro da imagem, mas antes em zonas ligeiramente deslocadas do centro geométrico da foto. Dever-se-á, por isso, evitar fazer composições com o motivo principal centrado na imagem, porque criam imagens tendencialmente pouco dinâmicas cujo interesse se esgota no centro, retirando a quem a visualiza “vontade” de percorrer o resto da imagem, pois não está de acordo com a forma natural como a processamos: de baixo para cima e da esquerda para a direita.
Seguindo esta regra, criamos imagens mais interessantes, onde se acaba por navegar mais tempo e ao longo de toda a imagem, aprendendo o máximo de pormenores e detalhes. Afinal de contas, o fotógrafo pretende contar uma história com a sua imagem. Porquê não contá-la com todos os detalhes e de forma interessante para que os que estejam a “ouvir” não se distraiam?
Eis alguns exemplos:

   

Existem outras duas regras de composição que são a base mais complexa, para a regra de terços.

Regra da Espiral Dourada

É o resultado de uma fundamentação matemática para explicar a noção de equilíbrio e dinâmica aos nossos olhos.
Matemático italiano nascido em Pisa por volta de 1175, Leonardo Fibonacci publica no ano 1202 o Livro do Ábaco (ou Livro do Cálculo) onde soluciona um problema matemático com uma sequencia numérica, introduzindo no Ocidente algo que já era conhecido por matemáticos indianos no século VI. Desta sequência, extrai-se o número transcendental conhecido como número de ouro. Este número corresponde a uma constante encontrada em variadíssimos exemplos na natureza, sendo por isso também chamado número divino. O seu valor arredondado é de 1,618 e é representado pela letra φ (phi) em homenagem a Phidias, um grande escultor grego ao qual atribuem o emprego da proporção dourada nas suas obras, nomeadamente nas Estátuas do Partenon. Representa uma constante de harmonia e beleza que nos parece naturalmente agradável ao olhar. Desde a Renascença que pintores, escultores e arquitectos baseiam as suas obras nesta constante.

Exemplos:

     

Regra dos Triangulos Dourados

Esta regra está também relacionada com a anterior e pode ser expressa da seguinte forma: desenhar uma diagonal a unir dois cantos opostos da imagem e depois desenhar duas linhas perpendiculares a unir cada um dos cantos restantes à diagonal. Desta forma formam-se quatro triângulos que respeitam as proporções douradas.

Utiliza-se bastante esta regra quando a cena contem linhas diagonais, fazendo-as coincidir em inclinação com a diagonal traçada e colocando os motivos fortes da cena a coincidirem com um ou ambos pontos de intersecção Normalmente faz-se uso apenas de um ponto forte, fazendo coincidir o motivo forte da cena.

Exemplos:

  

Estes são as principais regras de composição, mas não são as únicas componentes da arte de compor uma fotografia. Antes pelo contrário, existem muitos factores a considerar no acto de composição de uma imagem. Mas estes são as primeiros a considerar e dominar.
Aconselho-vos olhar agora, à luz destes conceitos, para as fotos que fizeram até hoje e perceber se estão muito longe ou não deles.
Boas Fotos!

4 responses to “Composição: As Regras

    • Ol Fernando. Fico extremamente agrdecido pelo seu comentrio. De facto, as publicaes so fruto da minha propria experiencia em termos do que aprendi e aprendo todos os dias que fao por partilhar da melhor forma possvel para que todos os interessados consigam saber o mesmo de forma mais rapida e eficiente.

      Neste momento estou extremamente ocupado com vrios projectos e por isso, infelizmente, o blog acaba por sofrer por falta de ateno da minha parte. Mas feedbacks como o seu injectam energia e vontade para escrever e continuar publicar. E por isso os meus sinceros agradecimentos.

      Espero que continue a seguir e que os artigos sejam enriquecedores.

      Abrao

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