JPEG? RAW? DNG?

Antes do advento da Fotografia Digital, não existiam dúvidas sobre o formato final: uma película de filme exposto onde mais tarde e se tudo corresse bem, teríamos a nossa fotografia tal e qual a imaginámos – o negativo.

Apesar do que se julga, o negativo não é um trabalho terminado. Sem querer aprofundar muito, na câmara escura existiam (e existem para quem ainda faz fotografia analógica) variadíssimas técnicas de edição e alteração da imagem ao ser processada, ampliada e revelada no papel fotográfico
O ficheiro digital, é hoje em dia o nosso negativo. E tal como no mundo analógico, a imagem digital pode ou não ser editada (por softwware), tendo em conta a finalidade a que se destina e ao gosto (artístico ou não) do fotógrafo, mas agora em câmara escura digital.

JPEG

JPEG directo da DLSR

O formato JPEG (Joint Photographic Experts Group) é um standard aberto para imagens digitais. É um formato comprimido com perda de informação na sua geração, que pode ser mais ou menos intensa conforme o nível de qualidade (0 – 100) e o numero de DPI’s (Dots per Inch, pontos por polegada) parâmetro que indica a resolução da imagem: mínimo de 72 para Web e visualizações em ecrans de computador; podendo ir até 300 ou mais para uma impressão em papel ou outros meios.
É o formato mais utilizado nas imagens carregadas na Internet.
Quando se tira uma fotografia numa máquina digital sob a forma de JPEG, o que, essencialmente está a acontecer é que o software interno e especifico ao modelo de máquina em questão está a tomar todas as decisões sobre tonalidades, contraste, equilíbrio de brancos, saturação, nitidez, etc da nossa fotografia. Em alguns modelos podemos escolher o tipo de processamento mais adequado como por exemplo, neutro ou vivido. De qualquer das formas, fica decidido no momento em que se carrega no obturador, os valores de cada pixel da imagem. Mas mais importante ainda, vai existir uma compressão da imagem sendo descartada informação sobre pixels que o software da maquina “julga” serem redundantes. Conforme seja configurado na maquina, gerando um ficheiro JPEG de menor ou maior qualidade, será descartada mais ou menos informação. O inconveniente deste formato surge quando se pretende editar a imagem num software (camara escura digital), porque vai estar muito limitado ao que pode fazer na imagem assim como na intensidade das edições sob pena de começarem a surgir ruído, efeitos de pixelização e aberrações cromáticas, podendo estragar a imagem por completo.

E o que é RAW?

RAW directo da DLSR

Nem todas as máquinas permitem tirar fotografias neste formato, se bem que começam a surgir muitas compactas com esta opção. Não se trata de uma opção destinada para profissionais, antes pelo contrário, muitos fotógrafos preferem utilizar JPEG como forma de agilizar o seu fluxo de trabalho, seja pela quantidade de fotos que fazem num trabalho, seja pela rapidez com que tem de colocar as fotos disponíveis, uma vez que não terão tempo para edições no computador. Fotógrafos de eventos, de desporto ou jornalistas, são exemplos.
Quando uma imagem é gerada neste formato, a câmara não altera a informação específica de cada pixel, mantendo todos os valores de todos os pixéis intactos, gerando por isso ficheiro muito maior. Este é um dos inconvenientes deste formato: o tamanho dos ficheiros. Como exemplo: uma máquina de 10 megapixéis pode gerar ficheiro RAW até 12 megabytes: 4 a 5 vezes mais do que o correspondente ficheiro JPEG com qualidade máxima. Mas para além disso, a fotografia não está terminada com este ficheiro. De facto, a imagem terá se de ser processada num software especial (lightroom, photoshop, aperture, etc) para chegar ao produto final que se pretende. E só depois desse trabalho é que se pode gerar um ficheiro JPEG que vai ser usado para carregar na net ou para ser impresso. Teremos de fazer no formato digital, aquilo que os fotógrafos fazem com o filme na fotografia analógica: processar e revelar o negativo.
Claro que dá muito mais trabalho e consome mais tempo (e espaço em disco), mas é aqui que está o segredo: agora temos realmente o controlo criativo sobre as nossas imagens. Deixou de ser a máquina a decidir por nós como deve ficar a nossa imagem final. Podemos decidir se queremos a imagem a preto e branco ou a cores. Com mais ou menos saturação. Podemos recuperar zonas de sombra ou luz excessiva (exposição) porque toda a informação sobre luminosidade está em cada um dos pixels. Podemos até decidir o equilíbrio de brancos, algo que fica definitivo no momento em que é criado o JPEG.

E existem dúvidas?

Existem fortes defensores para um e outro formato de imagem.
Pessoalmente, não posso fazer fotografia sem os dois. Tanto utilizo JPEG em fotografia do dia-a-dia, ou em trabalhos em que não posso perder muito tempo em edições; como RAW para poder mais tarde melhorar as imagens ou quando a exigência de qualidade é tal que não posso correr o risco de ter tudo já definido no momento em que disparo a máquina. Mas eu prefiro o RAW e utilizo-o sempre que posso. E mesmo se não tiver tempo, posso sempre gerar o JPEG tal como seria se tivesse saído da máquina.
Por um lado tenho controlo total sobre as imagens, mas por outros tenho de disponibilizar tempo para processar as imagens. E para o fazer de forma eficiente é preciso saber quais os melhores programas para os meus objectivos, aprender a usá-los da melhor forma e com o tempo e a prática, descobrir o melhor fluxo de trabalho para que todo processamento e revelação num JPEG seja realizado da melhor forma possível, consumindo o menor tempo.
Um outro factor contra o RAW é o espaço que ocupa em disco rígido. Tendo em conta o custo actual por mega, já não é um factor primordial para a escolha entre um e outro, mas ainda assim, há que pensar se queremos ter prateleiras de discos rígidos cheios de ficheiros depois de anos e anos de carreira fotográfica. Eu penso que se antigamente tínhamos de guardar negativos, agora tenho de guardar discos. Formatos diferentes, as mesmas preocupações.
Tudo isto também não invalida o facto de que para ambos os formatos, quanto mais tempo se “perder” a fazer a fotografia na maquina, menos tempo se perde à frente do monitor a processar a imagem. No fim, voltamos sempre à ideia primeira de que uma fotografia é um acto de paciência, dedicação e muita paixão e não deve ser um acto irreflectido, mas antes bem planeado e intencional.
Existe uma limitação técnica para a escolha de RAW: nem todas as máquinas digitais o permitem. Apesar de ser um formato que está a ser cada vez mais implementado nas gamas mais baratas e menos profissionais de máquinas fotográficas, tipicamente, as chamadas “compactas” só terão a hipótese de gerar JPGs.

Mas então e o DNG?

DNG gerado a partir do RAW original da DLSR e processado em Lightroom

O formato RAW é específico de cada fabricante. Ou seja, um ficheiro RAW é o resultado de um algoritmo de propriedade exclusiva de cada um dos fabricantes. Portanto um ficheiro RAW da Canon (.CR2), ou da Nikon (.NEF) ou da Sony (ARW, SR2 ou SRF), por exemplo, são todos incompatíveis entre si. Assim, se quisermos ter pré-visualizações das nossas imagens no explorador do Windows ou no finder do MAC, não será possível pois não é um formato aberto. Também, com o lançamento de novos modelos de máquina de cada fabricante, acontece frequentemente fazerem actualizações nos algoritmos o que torna as aplicações usadas para os processar e editar temporariamente incompatíveis até que saia uma actualização desse mesmo software para as novas versões dos ficheiros.
Existe uma alternativa para evitar estes problemas: o Digital Negative – DNG.
Trata-se de um formato criado pela Adobe para ser um standard em termos de negativos digitais. Tem todas as características de um formato RAW proprietário mas de algoritmo público. Ocupa ligeiramente menos espaço (alguns megabytes de diferença) pois descarta alguma informação extra e opcional sobre os dados técnicos da fotografia que nada tem a ver com a informação de cada pixel.
O único problema é que ao importar as suas fotos RAW proprietário para a sua aplicação de edição de imagem, é realizada a migração para DNG. Portanto a importação das fotos demorará mais tempo. Um outro ponto a favor é existir um driver para Windows e para MAC que permite ver as pré-visualizações de ficheiros DNG, tal como se fossem JPEGs.

Conclusão?

 

Qual é o melhor? Depende do tipo de fotografia que fazem, da qualidade que exigem do vosso trabalho fotográfico, da vossa qualidade e experiencia como fotógrafos, do tempo disponível, do prazo disponível para apresentar um trabalho fotográfico, etc. Todos os formatos referidos são validos e úteis em diversas circunstancias com os seus pontos a favor e contra. Apenas tem de se perguntar o que querem fazer da imagem captada na maquina e até que ponto tem tempo disponível e vontade para editar o trabalho no computador.

Não se esqueçam: não interessa o caminho que escolhem, só interessa chegar ao fim com imagens de que se orgulhem e que transmitam aquilo que querem transmitir.
Boas fotos!

Os Quatro P’s

Desta vez, gostava de vos dar a conhecer um artigo com o qual me identifico e que subscrevo totalmente, publicado no site Uknown Photographer, escrito por um talentoso fotógrafo de St. Louis (E.U.A) chamado Michael Green.

OS QUATRO P’s

O que fazer para ser um fotografo de sucesso? Esta é que é a grande questão.
Aparentemente parece que alguns querem fazer crer que, ao tornarem-se mestres das técnicas fotográficas, vão conseguir atingir automaticamente essa meta. Que quando souberem tudo sobre fotografia, direcção, poses e iluminação, se vão tornar como que por magia, fotógrafos famosos e bem sucedidos. Ser o melhor que podem ser na arte fotográfica e, por consequencia, todos vos irão adorar. Bem, eu não concordo de todo com isto… Gostaria de chamar a vossa atenção para uma serie de coisas que espero que vos sirvam de inspiração e ajude a conseguirem ficar mais perto das vossas respostas.
Estas são algumas das ideias que eu acredito que são chaves para se conseguir ser um fotógrafo de sucesso. Não são todas, nem sequer algumas, das respostas. Mas depois de alguma reflexão e ponderação sobre estes assuntos acabo sempre a voltar para às mesmas coisas. Os quatro P’s: Personalidade, Portfolio, Prática e Perspectiva.

PERSONALIDADE

O “Eu” que vocês pensam que são, nem sempre é o “Eu” que os outros vêem. Ficam aqui algumas ideias a ponderar: São pessoas acessíveis? Os vossos actuais (e potenciais) clientes gostam de trabalhar convosco? Consideram as pessoas com quem trabalham e as pessoas para quem trabalham, como amigos? Quando alguém vos conhece, desfrutam imediatamente do vosso convívio ou demoram algum tempo para se acostumarem? Vocês apresentam-se realmente como profissionais, ou em vez disso, acabam por passar uma ideia de arrogância? Por vezes, ser confiante e ser presunçoso podem ser facilmente confundidos. Não sejam aquele personagem… ninguém o quer aturar. Vocês sentem-se gratos pela oportunidade de trabalhar com as pessoas? E mostram isso? É assim que vos vêem, ou é como vocês “pensam” que vos vêem?

A primeira coisa que geralmente as pessoas vêem é a Personalidade. Ou gostam de vocês, ou não. É assim tão simples. Se gostarem, vão querer-vos para o trabalho; de outra forma, ainda podem vos contratar por mérito ou para preencher o lugar, mas não criaram um vínculo para o próximo trabalho. Não se plantou a semente para a próxima oportunidade. E quanto mais oportunidades existirem, melhor para vocês. Eu realmente acredito que assim que começarem a responder estas perguntas com uma nota positiva, não só vão pode beneficiar profissionalmente com isto, como também a vossa vida como um todo será uma experiencia muito mais agradável.

PORTFOLIO

O que estão a publicar para mostrar o que vocês são? Estarão a confundir toda a gente com demasiada informação, demasiados estilos? Pode-se concluir imediatamente o que vocês são e o que fazem bem com o material que publicam? Obviamente que já não estamos falar de “Books” bem impressos e com belíssimas capas de couro e estilos e tamanhos impecáveis. Hoje em dia, os nossos Portfolios on-line estão a fazer toda a conversa por nós (provavelmente até demais) e existe a necessidade de ser algo profissional. Um grande erro que vejo on-line quando visito uma inesgotável fonte de galerias falhadas e caóticas no Facebook, Flickr, ou nos próprios sites pessoais dos fotógrafos é o exagero. Vinte imagens diferentes do mesmo motivo ou cena, o mesmo motivo ou modelo não editado, os mesmos visuais. Até me arrepio só de pensar. (E por favor, vamos fazer de conta que nos conhecemos há vários anos e que estou a dizer isto porque realmente me preocupo com o vosso bem-estar, porque eu vou ser brutalmente honesto): é o primeiro ou segundo modelo fotográfico com quem trabalham; não têm a certeza do que queriam da sessão fotográfica e não conseguiram escolher uma imagem favorita e decidiram publicar praticamente tudo o que vocês pensam que resulta mais ou menos; ou precisam de preencher o vazio e é tudo que têm disponível para publicar, e mais vale “a mais” do que “a menos”; ou porque não conseguiram editar nenhuma das imagens porque são muitas e teriam de cobrar “horrores” ao cliente se tivessem de trabalhar todas as imagens, e para além disso nunca teriam tempo para isso…
Vamos reflectir sobre algumas princípios para um Portfolio.
É uma compilação dos vossos MELHORES trabalhos, que diz quem são vocês e que tipo e qualidade de trabalho conseguem fazer. Não existe espaço para ser-se sentimental relativamente a um determinado modelo, sessão, localização ou trabalho. Se a foto for boa é de manter, se não, elimina-se. Nada mais importa. Uma foto medíocre de uma celebridade é na mesma, uma foto medíocre. Fá-la ficar mal; faz vocês ficarem mal e ponto final. De seguida, usar apenas uma ou apenas algumas (poucas) imagens de uma determinada sessão. Não cinco ou seis. Já percebemos que estão mesmo empolgados com a sessão mas dessa forma, vão perder a atenção do público muito rapidamente. Tem de existir uma variedade de trabalhos. Tenham em mente que devem mostrar o vosso melhor trabalho, não necessariamente o mais recente. Frequentemente, vejo fotógrafos retirarem as suas melhores obras para dar espaço ao seu trabalho mais recente e às vezes pior. Não publicar as fotos até que estejam prontas, até que tenham trabalhado nelas até à perfeição e quando se sentirem felizes com o resultado final. Estamos ainda a falar do vosso Portfolio, e não apenas um lugar para onde regurgitam as imagens para serem visualizadas. E finalmente, não me confundam com quem vocês se identificam como fotógrafos. Se casamentos e bebés são a vossa praia tentem maravilhar-me com essas coisas, sem misturar pelo meio, algumas imagens arquitectónicas e algumas fotos de produtos. Se querem ser fotógrafos generalistas, o meu conselho seria: criarem identidades distintas para cada tipo de fotografia.

PRÁTICA

Sem praticar imenso ninguém chega a profissional. Atletas fazem-no, músicos fazem-no, porque deveria ser diferente
com fotógrafos? Não podem ser bons na fotografia se a câmara fotográfica fica na bolsa ou mochila durante semanas a fio enquanto vocês resmungam e ficam aborrecidos perguntando-se porque nunca aparece “Aquele Trabalho de Sonho”.
Parece que toda a gente tem toda a sorte e que coisas boas nunca acontecem a vocês, não é? Não, meus amigos. É muita prática que abre os canais para virem coisas boas bater-vos à porta. Primeiro, aprenderão como usar o vosso equipamento, melhorando o vosso olhar criativo, e descobrindo o que não funciona para que não cometam o mesmo erro ou para que façam de maneira diferente na próxima oportunidade. E segundo, ficarão a conhecer novas pessoas ao longo do caminho, ampliando assim a vossa rede de clientes, modelos, maquilhadores, e eventualmente proprietários de locais que gostariam de usar no futuro. E aqui temos outra coisa em que pensar: eu não quero dizer que o pior momento para aprender a usar o vosso equipamento é durante uma sessão porque honestamente, estamos sempre a aprender. Mas é necessário que num trabalho importante se sintam com o máximo de confiança, e a única maneira de chegar a esse ponto é conhecer o equipamento por dentro e por fora, o que se pode fazer e o que não se pode. E só conseguem isto usando-o repetidamente. Outra coisa importante a praticar é comunicar com os vossos modelos. A comunicação durante uma sessão fotográfica pode ser o elo mais fraco que faz com que todo o trabalho se desintegre e não consigam fazer com que os vossos modelos confiem em vós e na vossa capacidade de obter a foto. Praticar a edição e pós produção das imagens. Seria muito agradável, mas aprender Photoshop por osmose não existe. Precisam de pôr as mãos na massa e aprender o que funciona para vocês. Já vi muitos fotógrafos destruírem belas imagens porque não têm tempo ou se recusam a praticar as suas capacidades de edição de imagem. É mais fácil ficar quieto e desejar ser melhor. Não é possível obter qualidade para o quer que seja sem Prática.

PERSPECTIVA

Vejo este ponto ser esquecido muitas vezes ou não ser alvo da atenção que merece, mas penso que vai directo ao cerne da questão de ser-se bem sucedido. Muito simplesmente, criam a vossa própria realidade com vossa maneira de ver os vossos clientes, contactos, o vosso produto, a vossa capacidade, a qualidade do trabalho, e até mesmo o vosso status na vida. Dizendo de outra forma: sou pago para brincar. Apareço num trabalho, abro minha caixa de brinquedos, brinco com eles na frente do cliente, depois vou para casa brincar um pouco mais, e por alguma razão, alguém me põe um cheque nas mãos por isto. Esta é a maneira como eu vejo a minha vida. Esta é a minha perspectiva. Vocês gostam do que fazem? Vocês desfrutam-no realmente? Posso vos dizer que sou uma pessoa muito positiva e feliz por causa da maneira que eu escolhi de ver as coisas. E isto é apenas o início; isto vai muito mais fundo. Hoje em dia os meus amigos, colegas e clientes começam a ver quem eu sou realmente, e como eu sou, e as leis da atracção começam a dar frutos. A minha perspectiva está agora a influenciar a perspectiva deles em relação a mim. Eles adoram trabalhar comigo e de me ter por perto em trabalhos fotográficos. Eles sentem-se confortáveis ​​e confiantes na minha capacidade para fazer o trabalho bem feito, e ansiosos para ver o produto final. Então, podemos concluir que quando acreditam em vós próprios, outros vão acreditar em vocês? Por vezes, a vossa perspectiva pode ser exactamente aquilo que vos puxa para trás. Muitas vezes ouço fotógrafos dizerem como é difícil ganhar dinheiro com sua base de clientes e por isso têm constantemente de baixar a fasquia dos seus preços muito para além do que deveriam. Fica a reflexão: se o vosso produto é assim tão bom, aumentem os preços e toca de ir atrás de um tipo de cliente diferente. Podemos cair no erro de nos fechar quando escolhemos ver com uma perspectiva curta. Agora vamos olhar de perspectiva… sim, vocês chegam lá… uma perspectiva diferente: a maneira como vêem as vossas imagens. A vossa perspectiva pessoal é o que faz a diferença quando 30 pessoas vêem o mesmo objecto, mas vocês criam o vosso próprio produto final. Na maioria dos casos em que alguns vêem uma paisagem, eu vejo um fundo. É apenas como eu funciono. Por isso, orgulharem-se da vossa individualidade como artistas e pensadores criativos. E compreendam o valor da vossa perspectiva.

Assim, estes quatro pontos são realmente algo importante para mim e atribuo muito do meu sucesso directamente a eles, de muitas formas. Acredito que a imagem pessoal que vocês estão a apresentar ao vosso mercado e ao vosso público é algo extremamente importante. E eu penso que a pergunta realmente importante a que devem responder é esta: QUEM SÃO VOCÊS?

Boas Fotos!

Artigo original: The-4-ps-of-photography-michael-green

Ano Novo: novas Perspectivas!

Muitos de nós receberam ou compraram para si, como prenda de Natal, uma nova máquina fotográfica. E com isto vem o desejo de criar boas imagens. Infelizmente, as hipóteses de isto de acontecer são poucas já que como é sabido: não é a câmara que faz a fotografia, mas sim o fotógrafo.

Aproveitemos agora no início deste novo ano, para fazer algumas resoluções e tomar decisões para projectos fotográficos que tencionamos realizar em 2012. Mas, para começar com o pé direito e manter-nos motivados nos próximos 366 dias, aqui vão as resoluções que todos devemos ter em conta para fazer boa fotografia:

Conhecer bem o equipamento fotográfico.

E a melhor forma de o fazer é ler com atenção o manual da câmara, e consulta-lo sempre que surgir alguma dúvida. Toca a tirar o manual da caixa ou da gaveta onde o guardaram. Não vão conseguir ser bons fotógrafos, logo à partida, se não conhecerem perfeitamente o equipamento utilizam.  Sem conhecer as funções básicas e, especificamente, os modos de criação (Manual, Prioridade à Velocidade e Prioridade à Abertura), vão ter uma grande dificuldade em obter imagens com a mesma qualidade que as aquelas que tanto admiram dos livros e revistas. Portanto, é importante que, se quiserem avançar para a próxima resolução, que dominem perfeitamente, pelo menos, as funções básicas da vossa máquina. Não percam oportunidades únicas de fazer boas fotografias, porque não sabem como se faz isto ou aquilo na vossa máquina.

Fazer um curso de fotografia básica

Pode ser um bom livro*, um curso on-line** ou um workshop de fotografia***. Seja o que for, é importante que façam uma escolha e que decidam, de facto, em aprender com quem sabe. Desta forma, para além de ficarem com bases fundamentais para fazer fotografia, irão ganhar uma força motivacional para continuarem a fotografar, querer saber mais e assim se tornarem melhores fotógrafos. O ser-se auto-didacta funciona bem até um dado momento. E além disso, também é importante que a experiência de fazer fotografia seja feita em comunidade, com outros fotógrafos, de preferência, que saibam mais que vocês.

Criar um plano de “Tempo de fotografia”

A fotografia não é apenas algo que se decide fazer quando dá jeito ou somente quando lhe apetece. É preciso planear uma rotina ininterrupta de fotografia no vosso dia-a-dia. Este tempo não é para estudar, ver vídeos ou fazer edição de imagem, mas sim ter o dedo no obturador, seja na rua, em casa, num estúdio profissional ou improvisado. Ter um tempo dedicado a tirar fotografias de forma rotineira numa base diária ou semanal é tão importante como fazer uma viagem fotográfica..

Descobrir as vossas paixões pela fotografia

O que gostam mais de fazer? Quais são vossos hobbies ou interesses?  Pode ser um coleccionador de algo, ou gostar por viajar e conhecer outras culturas, ou ser um aficionado de algum desporto radical. Seja o que for, podem usar isto como forma de serem criativos na fotografia. Ao fotografar os vossos interesses estão ao mesmo tempo aprofundar o vosso conhecimento e domínio desses interesses e a utilizando a fotografia para terem um novo olhar sobre aquilo que faz parte da vossa vida e da vossa personalidade.

Se caso raro de não terem ideia do que vos interessa, então sentem-se, pensem e escrevam em palavras soltas, aquilo que vocês gostam, o que vos interessa, o que vos chama a atenção. De seguida, questionem-se sobre se alguma dessas palavras é um motivo que vos interesse fotografar. Possivelmente poderá haver limitações ao nível do equipamento que possuem: utilizem essas limitações em vosso proveito, criando formas inovadoras/diferentes de fotografarem.

Pensar antes de disparar

Façam vosso propósito, antes de começarem a vossa sessão fotográfica, ou antes de saírem para tirar umas fotos de que vão pensar antes de carregar no obturador. A doença associada ao Digital é fotografar de forma indiscriminada sem um plano de finalidade, um objectivo ou uma ideia. É como disparar para um alvo com metralhadoras na esperança de atingir o centro. Finjam que estão a usar filme e limitem-se apenas a 36 exposições. Se pensarem antes de fotografar e não esperarem que no meio de varias centenas de imagens possam encontrar uma interessante, garanto-vos que estarão no bom caminho para se tornarem excelentes fotógrafos.

Lembrem-se de que por possuírem uma câmara digital, não significa que sejam fotógrafos, da mesma forma que possuir uma caixa de tintas não faz de vocês pintores.

Boas Fotos.

Um ano de 2012 Luminoso e cheio de motivos interessantes para fotografar!

* Aconselho vivamente o livro: “Fotografia – Luz, Exposição, Composição, Equipamento”, por Joel Santos.

** Aconselho: www.creativelive.com e http://kelbytraining.com/

*** Aconselho: Papa-Leguas (http://www.papa-leguas.com/) e FotoAdrenalina (http://www.fotoadrenalina.com/)

Ser Árvore no meio da Floresta…

Nunca, como hoje, se viu tanta gente a fazer da fotografia o seu passatempo de eleição e até mesmo a arriscar a ser o seu principal meio de subsistência.

A evolução tecnológica dos equipamentos fotográficos e consequente massificação, por um lado, e o estado actual das redes sociais e da disponibilidade de informação na internet por outro, permite-nos obter todo o tipo de informação e formação sobre fotografia, fotografar e rapidamente ter material pronto para partilhar com uma audiência potencial de milhares. Mas, com tudo isto, será que é mais fácil ser-se Fotógrafo?
Uma árvore isolada na savana africana destaca-se muito mais do que uma árvore no meio da floresta. No entanto, se no meio de tantas a arvore alguma se destacar, então é porque deve ser realmente excepcional. Esta analogia aplica-se ao que se passa no mundo actual da fotografia digital. A dificuldade de encontrar um fotógrafo excepcional está directamente relacionada com a facilidade que existe para alguém fazer fotografia e mostrá-la ao mundo.

Os desafios para alguém que deseja levar a fotografia mais a serio e destacar-se na floresta de fotografia que existe actualmente são bem claros:

1)      APRENDER

São milhares, as fontes de informação disponíveis na internet: vídeos, blogs, cursos online e webminars, livros e publicações digitais, aplicações para tablets e smart phones, etc, Para além disto, existe agora uma variada oferta de workshops que sofreu um aumento exponencial nos últimos 2 anos. Com tudo isto, a dificuldade é agora saber seleccionar e organizar a informação de forma a direccionar a atenção para aquilo que se pretende dominar. É fácil ficar frustrado com tanto que existe para aprender, e é por isso necessário ser-se pragmático, motivado, objectivo e organizado.

2)      PRATICAR

Não se pode perder demasiado tempo no computador e no meio de tanta a informação. Fotografia aprende-se fotografando. A experiencia de fotografar faz-nos descobrir as nossas limitações ao mesmo tempo que também nos mantemos motivados sem perder de vista os objectivos que pretendemos atingir com a fotografia que fazemos. Assim que aprendemos algo, é preciso por em pratica e experimentar por nós mesmos toda a teoria que vamos absorvendo. E não esquecer: andar sempre com a máquina fotográfica.

3)      ESTUDAR OS MESTRES

Um dos maiores perigos para a evolução como pessoas e como fotógrafos, é ficar demasiado embrenhado no que estamos a fazer sem prestar atenção ao que existe à nossa volta. É preciso conhecer e analisar as obras dos grandes mestres da fotografia, desde dos primeiros até aos actuais. Uma das melhores formas de manter-nos inspirados é admirar e estudar as obras de outros. Nunca percam a oportunidade de visualizar com atenção o portefólio de pelo menos um fotografo por dia. E se for realmente algo que vos toque, acompanhem a sua obra e carreira. Percebam os truques e técnicas de quem já anda há muito tempo nesta indústria.

4)      DESCOBRIR O MEU ESTILO

Com tudo o que se vai assimilando, tanto com a vossa aprendizagem, como com a visualização de obras de outros fotógrafos, associados à prática que vão fazendo da fotografia, irão descobrir a vossa própria forma de fotografar e de criar imagens. Por vezes terão de se obrigar a descobrir novos temas, e de criar ou reinventar novas formas de fotografar. Experimentar. Quebrar as regras. Ir contra aquilo que vos ensinaram ser a forma correcta de fazer as coisas. Acima de tudo, serem vocês próprios. Criarem a vossa visão particular do mundo que vos rodeia e tentar transmitir aquilo que vêem e sentem.

5)      CONSTRUIR UM PORTEFÓLIO

À medida que se sentirem mais confiantes e seguros na fotografia, irão produzir cada vez mais e melhores imagens, e irá surgir a ânsia de mostrar o vosso trabalho. É tempo de começar a seleccionar e organizar as vossas melhores imagens. Começar a definir projectos pessoais. Desafios fotográficos, com objectivos bem concretos sobre o produto final que se pretende. Seleccionar apenas as melhores imagens, ainda que sejam poucas. Definir um número pequeno por tema. Por exemplo 10 fotos de paisagens, retratos, arquitectura, vida animal, etc. Certificarem-se de que existe uma qualidade consistente ao longo de todas as imagens.

6)      MOSTRAR O TRABALHO

A Fotografia existe para ser partilhada com outros. Faz parte da sua essência. A exposição do vosso trabalho ao resto do mundo é um dos mais importantes passos na carreira de qualquer fotógrafo. Não tenham medo de arriscar. Se escolherem bem as vossas melhores imagens, as opiniões (boas e más) vão ajudar-vos a melhorar a vossa arte, técnica e visão. Deverão ter o vosso portefólio tanto em formato digital, como em papel. Imprimir as fotos é fundamental porque o mundo não é apenas digital, e uma fotografia deve existir num formato real e físico como o papel. Depois de começarem a ter as primeiras impressões em papel, garanto-vos que não querer outra coisa. Procurem família e amigos. Depois, fotógrafos amigos, professores, companheiros de passeios fotográficos e seguir para círculos cada vez mais distantes de conhecimento até chegar, idealmente, aos profissionais da área e/ou eventuais clientes. As redes sociais e internet são outro meio importantíssimo a explorar e a maneira de o fazer vai dar para escrever outra serie de artigos. E não se esqueçam: estar sempre a fotografar.

7)      PROJECTAR UM NEGÓCIO

Se a pretensão de fazer fotografia é apenas uma satisfação pessoal, sem outro fim que não seja simplesmente fazer e ter boas imagens, este ponto não vos interessa. Mas se, pelo contrário, pretendem seguir uma carreira profissional e viver a partir da fotografia, é preciso pensar bem e definir que tipo de negocio se pretende criar e com que tipo de fotografia. O investimento em equipamento fotográfico (e não só), será neste momento fundamental para se avançar seriamente nesta vida. A quantidade de fotógrafos e, sobretudo, a qualidade de muitos deles com carreiras de muitos anos de experiencia obriga a não comecem a caminhar sem saber muito bem para onde vão, sob pena de se depararem com dificuldades inesperadas e intransponíveis. Saber fotografar, não implica, de todo, saber criar e manter um negócio. Aconselho vivamente a quem começa, por trabalhar primeiro com outros profissionais no tipo de fotografia que pretendem fazer. Experimentem o negocio de outros, aproveitando também para aprender com eles.

8)      SER COMUNIDADE

E ao longo de toda esta caminhada, seja como profissional, ou apenas como hobbie, a fotografia é também uma comunidade. Vamos conhecendo novas pessoas, novos talentos e grandes mestres. Aprendemos e experimentamos muita coisa e com tudo isto deverá existir sempre um sentido de partilha natural ao mesmo tempo que se vai criando uma rede de conhecimentos, amigos e contactos: uma comunidade fotográfica que nos valoriza tanto como pessoas, como artistas. Devemos dar tanto a esta comunidade, como aquilo que recebemos. Se queremos ser reconhecidos devemos dar reconhecimento. E acabamos sempre por aprender ao ensinar e receber ao partilhar.

Boas Fotos.

Ser Especifico.

Alguma vez se encontraram no meio de uma grande cidade com a sensação esmagadora de não saber por onde começar a fotografar?

Isto é especialmente verdadeiro se só tiverem dois ou três dias no local.  Aconteceu-me, muitas vezes. Tenta-se ver e captar tudo e acaba-se com fotos medíocres de coisas aleatórias, a maioria delas bastante banais e sem interesse.

Há uma cura para isso: definir um género específico ou um tema em particular para o dia. Isto não implica que ignorem tudo o resto à vossa volta, mas acabarão por ficar mais atentos a pormenores e detalhes que de outra forma passariam despercebidos, resultando em imagens muito mais interessantes do que se tivessem tentado captar tudo o que vos aparece pela frente.

Se gostam de fotografia de rua, podem decidir por um ou dois temas específicos como por exemplo: “pessoas de bicicleta”. Não irão perder nenhuma outra situação na rua ou as beleza de algum monumento ou atracção que seja o vosso destino final de caminhada, mas se ao longo desta procurarem por algo específico, vai se tornar mais divertido e desafiante

E se forem fotografar arquitectura? Escolham um detalhe arquitectónico, um padrão repetitivo, procurem reflexos em edifícios ou estilos de arquitectura contrastantes. Isto não significa que vão deixar de fotografar a Ponte D. Luis na sua totalidade quando estiverem no Porto, mas o álbum de fotos vai ser muito mais interessante se ele incluir alguns grandes-planos dos parafusos ou rebites que o mantém unido e os padrões repetitivos das vigas de aço.

Poderia continuar a dar ideias sobre tudo e mais alguma coisa. Só depende dos vossos interesses. Escolham uma cor, fotografia com animais, pessoas com chapéus, etc. Pensem de forma completamente originial e sobretudo façam por tentar algo que nunca tenham feito ou algo que vos tire da zona de conforto em que estão habituados a estar. Não fazem ideia do quanto pode melhorar a vossa fotografia e do impulso que pode dar na vossa paixão pela fotografia.

Para quem tem várias objectivas, escolham apenas uma. Limitem-se a ir caminhar pela cidade apenas com uma máquina e uma objectiva. Isto vai fazer com que olhem à vossa volta com outra perspectiva. E vão surgir situações em que, por não terem a 300mm, vão ter de se aproximar do motivo a ser fotografado ou optar por outro tipo de plano e vão encontrar detalhes que de outra forma nunca teriam notado ou realizar uma composição absolutamente original de um local conhecido.

Boas Fotos!

Composição: As Regras

Desta vez gostava de escrever acerca de um dos aspectos mais importantes a ter em conta na realização de fotografia: a Composição. Depende da forma nos colocamos em relação aos motivos que fotografamos, como posicionamos a câmara, do meio que nos rodeia, da luz, dos objectos, etc.
Como em tudo relacionado com arte, os princípios formais que vou enumerar devem ser entendidos e interiorizados como algo natural na criação da fotografia. Ao início poderão aplicá-los de forma forçada, racional e consciente mas, com o tempo e a pratica, vão dar-se conta que vão estar a aplicar estes mesmos princípios sem pensar, de forma natural e intuitiva.

Regra de Terços

É a mais simples das regras. Muitas máquinas digitais apresentam esta regra no LCD. Consiste na divisão imagem em nove blocos, com duas linhas horizontais equidistantes entra si, mais outras duas linhas verticais equidistantes entre si, criando um padrão 3×3 com quatro intersecções: os pontos de força.

Estes pontos são as áreas fortes da imagem, e a teoria diz que o nosso cérebro processará a imagem ao longo das linhas, dando maior atenção primeiramente a estes quatro pontos. O nosso cérebro tenderá também a processar a imagem de baixo para cima e da esquerda para a direita. Estas noções são há muito tempo conhecidas nas áreas de marketing e publicidade. Por isto, motivos para os quais queremos dar maior importância deverão ser compostos de forma a coincidir com as linhas e/ou os pontos de intersecção.
Ao contrário do que podem pensar, a noção de equilíbrio do nosso cérebro não coincide com o centro da imagem, mas antes em zonas ligeiramente deslocadas do centro geométrico da foto. Dever-se-á, por isso, evitar fazer composições com o motivo principal centrado na imagem, porque criam imagens tendencialmente pouco dinâmicas cujo interesse se esgota no centro, retirando a quem a visualiza “vontade” de percorrer o resto da imagem, pois não está de acordo com a forma natural como a processamos: de baixo para cima e da esquerda para a direita.
Seguindo esta regra, criamos imagens mais interessantes, onde se acaba por navegar mais tempo e ao longo de toda a imagem, aprendendo o máximo de pormenores e detalhes. Afinal de contas, o fotógrafo pretende contar uma história com a sua imagem. Porquê não contá-la com todos os detalhes e de forma interessante para que os que estejam a “ouvir” não se distraiam?
Eis alguns exemplos:

   

Existem outras duas regras de composição que são a base mais complexa, para a regra de terços.

Regra da Espiral Dourada

É o resultado de uma fundamentação matemática para explicar a noção de equilíbrio e dinâmica aos nossos olhos.
Matemático italiano nascido em Pisa por volta de 1175, Leonardo Fibonacci publica no ano 1202 o Livro do Ábaco (ou Livro do Cálculo) onde soluciona um problema matemático com uma sequencia numérica, introduzindo no Ocidente algo que já era conhecido por matemáticos indianos no século VI. Desta sequência, extrai-se o número transcendental conhecido como número de ouro. Este número corresponde a uma constante encontrada em variadíssimos exemplos na natureza, sendo por isso também chamado número divino. O seu valor arredondado é de 1,618 e é representado pela letra φ (phi) em homenagem a Phidias, um grande escultor grego ao qual atribuem o emprego da proporção dourada nas suas obras, nomeadamente nas Estátuas do Partenon. Representa uma constante de harmonia e beleza que nos parece naturalmente agradável ao olhar. Desde a Renascença que pintores, escultores e arquitectos baseiam as suas obras nesta constante.

Exemplos:

     

Regra dos Triangulos Dourados

Esta regra está também relacionada com a anterior e pode ser expressa da seguinte forma: desenhar uma diagonal a unir dois cantos opostos da imagem e depois desenhar duas linhas perpendiculares a unir cada um dos cantos restantes à diagonal. Desta forma formam-se quatro triângulos que respeitam as proporções douradas.

Utiliza-se bastante esta regra quando a cena contem linhas diagonais, fazendo-as coincidir em inclinação com a diagonal traçada e colocando os motivos fortes da cena a coincidirem com um ou ambos pontos de intersecção Normalmente faz-se uso apenas de um ponto forte, fazendo coincidir o motivo forte da cena.

Exemplos:

  

Estes são as principais regras de composição, mas não são as únicas componentes da arte de compor uma fotografia. Antes pelo contrário, existem muitos factores a considerar no acto de composição de uma imagem. Mas estes são as primeiros a considerar e dominar.
Aconselho-vos olhar agora, à luz destes conceitos, para as fotos que fizeram até hoje e perceber se estão muito longe ou não deles.
Boas Fotos!

Fazer uma Fotografia = Compor uma Música = Pintar um Quadro?

ComposingNum mundo inundado de informação ao alcance de todos de forma indiscriminada, por vezes, infelizmente, falsa ou incorrecta, cabe a nós apreender de forma critica e saber distinguir o que é verdadeiro e o que é falso. Como alguém disse, existem sempre 3 versões para cada história: a tua, a minha e a verdade. É com este espírito crítico que vos convido a ler os artigos deste blog dedicado à fotografia nos seus aspectos mais amplos e subjectivos.
E qual é a minha versão da história?… É que na fotografia, o mais importante é viver e aprender com a experiencia. Dito isto, sinto que grande parte de vocês vai desligar o computador e deixar de ler esta “Perspectiva”, mas peço-vos que me acompanhem, para, pelo menos, mais tarde comporem a vossa versão.
Como já referi anteriormente, eu acredito que o equipamento é o menos importante da lista de coisas necessárias para fazer fotografia. E afinal, qual é a mais importante? Acredito que é a capacidade de olhar e compor uma fotografia não só com os nossos olhos, mas também com nossa sensibilidade e, claro, com todos os conhecimentos adquiridos de forma teórica e comprovados pela experiencia de cada um.
Compor é, na sua génese, “formar um todo, juntando diferentes partes”. É criar, produzir e inventar algo.
Em fotografia como em tantas áreas criativas, sejam artísticas ou técnicas, a composição baseia-se em regras e fundamentos teóricos que nos ajudam a tornar visível a ideia da imagem que planemos realizar, seja ela preparada com semanas de antecedência, seja de forma espontânea ao depararmo-nos com um motivo interessante. E na minha analogia com outras actividades artísticas que usei no título deste artigo, quis provocar a dúvida sobre se a palavra composição, poderia ser aplicada da mesma forma. Penso que sim, no sentido em que não se pode criar uma obra musical ou uma pintura, sem dominar bem as bases teóricas de composição.
Para fazer uma foto, da mesma forma que se compõem uma música ou se pinta um quadro (ou até num projecto de uma qualquer área de engenharia ou arquitectura), sem as regras, sem a teoria, não conseguimos ir mais além nas nossas criações. E o objectivo é que a teoria esteja tão bem assimilada que acabamos por a pôr em prática de forma quase automática sem reflectir muito no que estamos a usar e porquê.
Conclusão: é preciso saber as regras, para as saber usar de forma adequada e em favor da nossa força criativa. É preciso viver e experimentar a teoria assimilada. E para quebrar a regras é fundamental que as dominemos.
Nas próximas semanas vou concretizar estes fundamentos em algumas publicações mais técnicas de acordo com a minha experiencia pessoal, para que possam alargar as vossas fronteiras criativas e sobretudo, para vos desafiar a irem mais além na fotografia que fazem e que querem fazer.

Boas fotos! :-)